O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente.

Mario Quintana

30 de jan de 2016

Jardim sem cor.


Essa inquietude
que traspassa em meu peito
Quimeras de amor perdido
sem delito, sem rastros...
Como marchinhas de carnaval,
tocadas aleatoriamente
passa e não vê,
ignora a dor do pierrot
como as águas que correm pro mar
levando tudo ao seu furor.
Se era amor,
se era paixão
invisível, feroz, inquieta
virou solidão...
Ornam um jardim sem cor
flores fechadas,
borboletas famintas,
casulos destruídos
pelo vendaval que passou.
E nessa esfera,
Não sou mais amor
Coração errante
Não sei mais quem sou
Talvez uma haste
um espantalho
cartas roubadas de um baralho
sujei meus sonhos
Entonteci.
Eu peregrina, pássaro livre
cujo tempo podou as asas
E agora?
agora aqui estou
fragmentos do que sobrou
rastejante,
pedinte
perdida
inconstante
à espera de nada,
cravada.
[Lápide de fantasias desfeitas]

Magna Vanuza Araújo

2 comentários:

  1. Bom dia Magna
    Palavras intensas que emolduram o amor do coração da poetisa apaixonada. Um grito de amor belíssimo
    Um domingo feliz
    Beijos

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  2. Obrigada, Gracita!

    Magna

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