O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente.

Mario Quintana

8 de out de 2017

Poesia em mim


A Poesia me explora
Me namora, me beija.
Ela me deseja, maneja,
Acalenta, concentra...
Revira meu avesso,
Revela meus segredos,
Expõe contradições.

Magna Vanuza Araújo
|Direitos Reservados|

Gerando Poesia!


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Ainda a sinto no ventre se bulindo,
Sinto-a presa prestes a rasgar
minhas entranhas;
Sinto as dores e a alegria em poder vê-la,
contemplar os seus traços;
a melancolia em pensar em perdê-la para sempre,
e a alegria em saber que ela existe em mim!
Mal posso esperar para vê-la nascer...
Num momento único antes que todos venham apreciá-la:
eu e ela nos mimamos, nos ninamos e nos amamos
um pouco a sós...
Essa menina, doce e meiga que me faz tão feliz
Chama-se:
POESIA!
Magna Vanuza Araújo

Indefinição


Não sei onde estou
Perplexo

Não vejo minha imagem
reflexo

Não entendo meu eu
complexo

Não relaxo sem ele
Sexo

Não invento histórias
Anexo

Não estou perto nem longe
desconexo

Não sou côncavo
convexo


Magna Vanuza Araújo

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Sentimental

Estou cansada...
cansada de estar aqui
aprisionada pelos medos
que carreguei durante toda vida.

Estou aqui cansada
de sempre ter que recomeçar,
de sempre ter que lutar
de abrir mão pros outros
ter que me abandonar.

Amanheci vazia,
sem sonhos pra recomeçar.

Estou maior que o mundo
e menor que o eu
que posso carregar
De rascunhos, poesias
caminhos longos...

Magna Vanuza Araújo
|Direitos Reservados|

Inconstância


Tem horas que me vejo
Tempos que me desejo
Minutos que me realizo
Segundo que eternizo.

Passando por mim o tempo,
Passo também ao vento
Horas sou protegida, vezes ao léu
Fantasio, sonhos, viajo ao céu.

Na instabilidade me dou conta
da realidade que me espanta
Fantasio inexistência que me encanta.

Meu desejo é insídia
Não vejo presença ou distância
Nas artemanhas da vida
Amedronto essa Inconstância.

Magna Vanuza Araújo
|Direitos Reservados|

Tempo


Sou um pássaro errante
que deseja abrigo ter,
voa a procura de um norte
pássaro não quer mais ser.

Bate as asas cansado
não suporta mais o ar,
voa ferido e assustado
querendo se aconchegar.

Sou um pássaro errante
cujo voo parece não ter fim,
vivo em perigo constante
triste destino reservado a mim.

Sendo o voar almejado,
trocaria de lugar,
com quem queira ser alado
pra que eu possa enfim pousar.

Magna Vanuza Araújo

Perdida


Me perdi nos teus idiomas
Nos toques dos teus dedos.
Me perdi no absurdo,
num sonho confuso...
no teu paladar.

Já me perdi na solidão,
Numa bela composição.
Me perdi na tua pele,
no cheiro do teu orgasmo
já suei teu assoalho.

Me perdi no banheiro,
Refletida no espelho,
Numa canção...

Me perdi na alegria,
na agonia,
num instante de ilusão.
Me perdi nos caminhos
do teu coração.


Magna Vanuza Araújo

O Poeta e a Poesia de cada dia


Ser poeta é ser livre para pensar,
É ser livre para expressar seus sentimentos
Ao poeta é permitido asas
correr atrás dos ventos...

Poeta também gosta de virar bichos,
Vira borboleta, pássaros, sapos...
Poeta gosta de perigo:
Muitas vezes toca os raios de sol,
Vive preso a caldas de cometas,
Toca as estrelas,
Voa sem asas sobre o arrebol.

O poeta é atrevido, envolvido
Aventura-se em furacões e tempestades,
Mas prefere a brisa suave.
Todo poeta gosta de flores,
E também dos espinhos pra contrariar.

Poeta também gosta de sofrer,
tem prazer em escrever suas dores.
Poeta não pisa na areia somente para passear,
mas para deixar suas marcas por lá!

Às vezes ele se exibe, outra se isola,
O poeta é meio camaleão, se camufla...
Para o poeta os dias e as horas, são histórias,
Contadas em sentimentos sempre muito apurados.
Mas o poeta ama com uma força extrema
E se alimenta desse amor
na Poesia de cada dia.

Magna Vanuza Araújo

11 de mar de 2016

Pra lembrar que não somos melhores


Não importa quanto tempo leve
de leve, chegaremos em algum lugar.
Ou talvez não cheguemos, quem saberá?
Somos tão transitórios
E transitamos as cegas, neste vasto e sinuoso caminhar.
Nada sabemos, a não ser da campa fria
Última cama, gélida, onde apodreceremos
 junto às flores, que nos negaram em vida.

MV

30 de jan de 2016

Jardim sem cor.


Essa inquietude
que traspassa em meu peito
Quimeras de amor perdido
sem delito, sem rastros...
Como marchinhas de carnaval,
tocadas aleatoriamente
passa e não vê,
ignora a dor do pierrot
como as águas que correm pro mar
levando tudo ao seu furor.
Se era amor,
se era paixão
invisível, feroz, inquieta
virou solidão...
Ornam um jardim sem cor
flores fechadas,
borboletas famintas,
casulos destruídos
pelo vendaval que passou.
E nessa esfera,
Não sou mais amor
Coração errante
Não sei mais quem sou
Talvez uma haste
um espantalho
cartas roubadas de um baralho
sujei meus sonhos
Entonteci.
Eu peregrina, pássaro livre
cujo tempo podou as asas
E agora?
agora aqui estou
fragmentos do que sobrou
rastejante,
pedinte
perdida
inconstante
à espera de nada,
cravada.
[Lápide de fantasias desfeitas]

Magna Vanuza Araújo

29 de jul de 2015

Dos sonhos, lucidez




Vejo um sonho, 
entrego minha espera
acordada, com a esperança
ancorada num porto distante
Vejo em ilusão, capítulos
antecipados de uma história
que é minha.

Reviro os pesadelos, acordo, espelho
vejo as lições do tempo, escritas no meu corpo.
Passeio no imaginário mundo feliz,
passo por feras, em esferas desiguais
campeio por entre as fronteiras,
encontro as estrelas plantadas no chão
dormindo sobre o clarão da imensidão.

Já sonho, e meus olhos veem, contemplam
toda verdade cravada nas minhas experiencias 
sou toda, indivisível. 

Se surto, estou bem,
se volto, pesadelo.
De louca, loba, mulher,
sou minha própria dominação.

Com simplicidade, controlo minhas
desilusões, administro as razões e faço
da vida meu sonho real.

Magna Vanuza Araújo

Pra pasárgada com Manoel...


Com licença, meu senhor,
Chutei o pau da barraca
e comprei passagem sem volta

vou com Manuel pra Pasárgada.

É só o tempo de arrumar
o básico que eu tiver
Meus óculos, minha lente
aquele perfume quente
meu vestido estampado,
O batom vermelho dourado,
minhas vestimentas íntimas
e a calça jeans rasgada.

É bem rapidinho,
só o tempo de um café
monto um cavalo domado
vou num galope danado,
nem dará tempo esfriar teu café.

Me espera, Mané, 
vou contigo sem pestanejar
aqui onde vivo,
já deu o que tinha que dá
e no silêncio abstrato
não quero mais ficar.

Lá em Pasárgada vou me aventurar.
Mas é na cama do rei que vou me deitar.
Quem quiser me encontrar,
Em pasárgada vou estar
peça o endereço pro Manoel
que mando notícias de lá.



Magna Vanuza Araújo

5 de abr de 2015

Gênios dos gêneros.
Menino ou menina
bola, pipa, boneca...
rosa, azul, skate, bicicleta.
criança quer brincar
de quê, não importa:
Menino de boneca,
Menina de peteca,
A bola é redonda e quebra vidraças;
o preconceito quebra o amor.
Criança não tem preconceito
-cores
-brinquedos
-brincadeiras
Podem formar gênios,
que não serão definidos pelo gênero.
Preconceito sim,
preconceito leva a diferenciação,
afasta crianças
que adultos serão.
Confundem cabeças em formação...
Presente de um futuro que podem dividir nações.
Deixem brincar as crianças,
libertar a imaginação,
pintar o céu cor de rosa,
o chão de azul anil,
o mar amarelar
as estrelas, avermelhar,
luar multicolorir...
O sol poderá sorrir,
ou o chorar o preconceituoso,
em um desenho de dor...
Menino, menina
crianças, apenas crianças.
Quantos cenários o preconceito desmontou?
Quantos gênios limitou?

Magna Vanuza Araújo.

  • Magna Vanuza Araújo
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1 de mar de 2015

Nós em nós







Você fez nós em nós.
Laçou meu coração
prendeu minhas mãos.
Libertinou pensamentos
Agora, cativa sou.
Louco amor...ah!

Fico nesse emaranhado,
Sem saber se é amor
o que sentes,
ou sua natural maneira
de adjetivar os nós
que só a mim prendem.
Nós com os quais te enlaças
Sem se deixar ser laçado.

Magna Vanuza Araújo.

[DIREITOS REGISTRADOS]

Casada




Casada
Sou extremamente casada
Casada com minha abstinência
e com todas aquelas reticências

que pontuam minha madrugada...

Sou casada com minhas alianças solitárias
Lembranças essas, que não servem para mais nada.
Mas insistem em permanecer na memória
aquela gavetinha pandorética que
de vez em quando se abre e seu conteúdo
sai vagueando para perturbar.

Sou extremamente casada,
casada com as asas do mar.

Magna Vanuza Araújo


[DIREITOS REGISTRADOS]

(Poesia uterina)



Estou gravida de uma poesia.
Rasgando as entranhas,
prestes a cortar os cordões
das máscaras, das escravidões.

Estou gravida de uma fantasia,
das asas do mar, 
do sopro do vento,
do romper da aurora.
Das estrelas, que dentro em mim afloram.

Em breve, amamentarei minha utópica história.
Estou prestes a parir,
lactante...
que venha com gênero indefinido,
que seja feliz!
Que faça na minha vida o que 
sempre quis, mas nunca fiz.


Magna Vanuza Araújo

Poema em contradição


[DIREITOS REGISTRADOS]

22 de fev de 2015

Entradas, estradas.



Sou feita de caminhos fartos,
Se caio, levanto, avisto estradas,
vou caminhando.
Se paro, reflito, parto...
sou projetada pra seguir,
seguir em frente...
Os tombos fazem parte do percurso.
Não sinto vazios profundos,
quando a meta é superar desafios.
A vida, a vida é passageira
e passa como mágica,
Cada minuto é passado.
As passadas são ilimitadas.
E o que ficou pra trás, será apenas
lembrança.
Se não posso voar, caminho
pelas vantagens ou desvantagens
que o destino me reservar.
Nas avenidas, nos descampados,
nos becos sem saída,
nas estradas, entradas da vida.

Magna Vanuza Araújo

Foto: Priscilla Araújo 

Gosto de Sentir Gosto




Gosto de coisas inusitadas,
Que me surpreendam,
me elevem além das limitações.

Gosto de ser surpreendida,
de fazer vibrar os nervos,
arrepiar...


Gosto de novos sabores,
Gostos diferentes,
gestos inesperados
que fujam da rotina.

Gosto de inovar, surpreender,
fazer e acontecer...
Gosto de misturar, experimentar.
Romeu e Julieta,
Sal e mel.

Gosto de olhares,
toques, preliminares.
Barulhos calados,
suores perfumados.

Gosto que me tire do sério
que descubra meus mistérios
Quero -por instantes- 
ficar sem saída.

Odeio mesmices,
tolices, posições sem poses.
Fingimentos...
gritos sem prazer.

Magna Vanuza Araújo.
Foto: Gosto de sentir gosto.

Gosto de coisas inusitadas,
Que me surpreendam,
me elevem além das limitações.

Gosto de ser surpreendida,
de fazer vibrar os nervos,
arrepiar...

Gosto de novos sabores,
Gostos diferentes,
gestos inesperados
que fujam da rotina.

Gosto de inovar, surpreender,
fazer e acontecer...
Gosto de misturar, experimentar.
Romeu e Julieta,
Sal e mel.

Gosto de olhares,
toques, preliminares.
Barulhos calados,
suores perfumados.

Gosto que me tire do sério
que descubra meus mistérios
Quero -por instantes- 
ficar sem saída.

Odeio mesmices,
tolices, posições sem poses.
Fingimentos...
gritos sem prazer.

Magna Vanuza Araújo.