O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente.

Mario Quintana

11 de mar de 2016

Pra lembrar que não somos melhores


Não importa quanto tempo leve
de leve, chegaremos em algum lugar.
Ou talvez não cheguemos, quem saberá?
Somos tão transitórios
E transitamos as cegas, neste vasto e sinuoso caminhar.
Nada sabemos, a não ser da campa fria
Última cama, gélida, onde apodreceremos
 junto às flores, que nos negaram em vida.

MV

30 de jan de 2016

Jardim sem cor.


Essa inquietude
que traspassa em meu peito
Quimeras de amor perdido
sem delito, sem rastros...
Como marchinhas de carnaval,
tocadas aleatoriamente
passa e não vê,
ignora a dor do pierrot
como as águas que correm pro mar
levando tudo ao seu furor.
Se era amor,
se era paixão
invisível, feroz, inquieta
virou solidão...
Ornam um jardim sem cor
flores fechadas,
borboletas famintas,
casulos destruídos
pelo vendaval que passou.
E nessa esfera,
Não sou mais amor
Coração errante
Não sei mais quem sou
Talvez uma haste
um espantalho
cartas roubadas de um baralho
sujei meus sonhos
Entonteci.
Eu peregrina, pássaro livre
cujo tempo podou as asas
E agora?
agora aqui estou
fragmentos do que sobrou
rastejante,
pedinte
perdida
inconstante
à espera de nada,
cravada.
[Lápide de fantasias desfeitas]

Magna Vanuza Araújo

29 de jul de 2015

Dos sonhos, lucidez




Vejo um sonho, 
entrego minha espera
acordada, com a esperança
ancorada num porto distante
Vejo em ilusão, capítulos
antecipados de uma história
que é minha.

Reviro os pesadelos, acordo, espelho
vejo as lições do tempo, escritas no meu corpo.
Passeio no imaginário mundo feliz,
passo por feras, em esferas desiguais
campeio por entre as fronteiras,
encontro as estrelas plantadas no chão
dormindo sobre o clarão da imensidão.

Já sonho, e meus olhos veem, contemplam
toda verdade cravada nas minhas experiencias 
sou toda, indivisível. 

Se surto, estou bem,
se volto, pesadelo.
De louca, loba, mulher,
sou minha própria dominação.

Com simplicidade, controlo minhas
desilusões, administro as razões e faço
da vida meu sonho real.

Magna Vanuza Araújo

Pra pasárgada com Manoel...


Com licença, meu senhor,
Chutei o pau da barraca
e comprei passagem sem volta

vou com Manuel pra Pasárgada.

É só o tempo de arrumar
o básico que eu tiver
Meus óculos, minha lente
aquele perfume quente
meu vestido estampado,
O batom vermelho dourado,
minhas vestimentas íntimas
e a calça jeans rasgada.

É bem rapidinho,
só o tempo de um café
monto um cavalo domado
vou num galope danado,
nem dará tempo esfriar teu café.

Me espera, Mané, 
vou contigo sem pestanejar
aqui onde vivo,
já deu o que tinha que dá
e no silêncio abstrato
não quero mais ficar.

Lá em Pasárgada vou me aventurar.
Mas é na cama do rei que vou me deitar.
Quem quiser me encontrar,
Em pasárgada vou estar
peça o endereço pro Manoel
que mando notícias de lá.



Magna Vanuza Araújo

5 de abr de 2015

Gênios dos gêneros.
Menino ou menina
bola, pipa, boneca...
rosa, azul, skate, bicicleta.
criança quer brincar
de quê, não importa:
Menino de boneca,
Menina de peteca,
A bola é redonda e quebra vidraças;
o preconceito quebra o amor.
Criança não tem preconceito
-cores
-brinquedos
-brincadeiras
Podem formar gênios,
que não serão definidos pelo gênero.
Preconceito sim,
preconceito leva a diferenciação,
afasta crianças
que adultos serão.
Confundem cabeças em formação...
Presente de um futuro que podem dividir nações.
Deixem brincar as crianças,
libertar a imaginação,
pintar o céu cor de rosa,
o chão de azul anil,
o mar amarelar
as estrelas, avermelhar,
luar multicolorir...
O sol poderá sorrir,
ou o chorar o preconceituoso,
em um desenho de dor...
Menino, menina
crianças, apenas crianças.
Quantos cenários o preconceito desmontou?
Quantos gênios limitou?

Magna Vanuza Araújo.

  • Magna Vanuza Araújo
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1 de mar de 2015

Nós em nós







Você fez nós em nós.
Laçou meu coração
prendeu minhas mãos.
Libertinou pensamentos
Agora, cativa sou.
Louco amor...ah!

Fico nesse emaranhado,
Sem saber se é amor
o que sentes,
ou sua natural maneira
de adjetivar os nós
que só a mim prendem.
Nós com os quais te enlaças
Sem se deixar ser laçado.

Magna Vanuza Araújo.

[DIREITOS REGISTRADOS]

Casada




Casada
Sou extremamente casada
Casada com minha abstinência
e com todas aquelas reticências

que pontuam minha madrugada...

Sou casada com minhas alianças solitárias
Lembranças essas, que não servem para mais nada.
Mas insistem em permanecer na memória
aquela gavetinha pandorética que
de vez em quando se abre e seu conteúdo
sai vagueando para perturbar.

Sou extremamente casada,
casada com as asas do mar.

Magna Vanuza Araújo


[DIREITOS REGISTRADOS]

(Poesia uterina)



Estou gravida de uma poesia.
Rasgando as entranhas,
prestes a cortar os cordões
das máscaras, das escravidões.

Estou gravida de uma fantasia,
das asas do mar, 
do sopro do vento,
do romper da aurora.
Das estrelas, que dentro em mim afloram.

Em breve, amamentarei minha utópica história.
Estou prestes a parir,
lactante...
que venha com gênero indefinido,
que seja feliz!
Que faça na minha vida o que 
sempre quis, mas nunca fiz.


Magna Vanuza Araújo

Poema em contradição


[DIREITOS REGISTRADOS]

22 de fev de 2015

Entradas, estradas.



Sou feita de caminhos fartos,
Se caio, levanto, avisto estradas,
vou caminhando.
Se paro, reflito, parto...
sou projetada pra seguir,
seguir em frente...
Os tombos fazem parte do percurso.
Não sinto vazios profundos,
quando a meta é superar desafios.
A vida, a vida é passageira
e passa como mágica,
Cada minuto é passado.
As passadas são ilimitadas.
E o que ficou pra trás, será apenas
lembrança.
Se não posso voar, caminho
pelas vantagens ou desvantagens
que o destino me reservar.
Nas avenidas, nos descampados,
nos becos sem saída,
nas estradas, entradas da vida.

Magna Vanuza Araújo

Foto: Priscilla Araújo 

Gosto de Sentir Gosto




Gosto de coisas inusitadas,
Que me surpreendam,
me elevem além das limitações.

Gosto de ser surpreendida,
de fazer vibrar os nervos,
arrepiar...


Gosto de novos sabores,
Gostos diferentes,
gestos inesperados
que fujam da rotina.

Gosto de inovar, surpreender,
fazer e acontecer...
Gosto de misturar, experimentar.
Romeu e Julieta,
Sal e mel.

Gosto de olhares,
toques, preliminares.
Barulhos calados,
suores perfumados.

Gosto que me tire do sério
que descubra meus mistérios
Quero -por instantes- 
ficar sem saída.

Odeio mesmices,
tolices, posições sem poses.
Fingimentos...
gritos sem prazer.

Magna Vanuza Araújo.
Foto: Gosto de sentir gosto.

Gosto de coisas inusitadas,
Que me surpreendam,
me elevem além das limitações.

Gosto de ser surpreendida,
de fazer vibrar os nervos,
arrepiar...

Gosto de novos sabores,
Gostos diferentes,
gestos inesperados
que fujam da rotina.

Gosto de inovar, surpreender,
fazer e acontecer...
Gosto de misturar, experimentar.
Romeu e Julieta,
Sal e mel.

Gosto de olhares,
toques, preliminares.
Barulhos calados,
suores perfumados.

Gosto que me tire do sério
que descubra meus mistérios
Quero -por instantes- 
ficar sem saída.

Odeio mesmices,
tolices, posições sem poses.
Fingimentos...
gritos sem prazer.

Magna Vanuza Araújo.

14 de out de 2014

Manejo

[Tela: Vino Morais]


Tenho chorado,
chorado e calado...


Tenho dormido cansada,
De exaustão...combustão...indigestão!

- ACEITAÇÃO!

Tenho vivido e morrido:
de tédio...sacrilégio... privilégio!

Tenho falado e calado,
o que querem que eu diga
o que querem que eu cale!

Magna Vanuza Araújo

9 de out de 2014

engolindo sapos








Tenho andado
Perdida
Em caminhos fartos
Tenho andado
Esquecida
Às margens do asfalto
Tenho andado sofrida
Em consequências dos fatos
Tenho andado calada
Engolindo meus sapos.



 Magna Vanuza Araújo

Dos contos defeitos, desfeitos...


27 de set de 2014

Enluarada



Aquele dia
A lua cheia
Banhou meu corpo
Incendiou minhas
Veias
Foi loucura
Inquietação
Fui loba
Na ocasião.

Magna Vanuza Araújo

Prisões do medo



Qualquer dia,
Desprendo-me das cordas
Que me amarram ao ermo
Dos pesadelos;
Sonhos desfeitos,
Asas cortadas,
Prisões do medo.
Estou em conflito
A desvendar-me em segredos.
Posso surpreender meus medos.

Magna Vanuza Araújo.
 — 



Vou te comprometer
Isso mesmo.
Vou rabiscar o teu corpo,
Arrepiar teus contornos
Escrever meu nome na tua sensualidade.
Embebedar-te com meu cheiro,
Deixar marcas de batom no travesseiro.
Vou escrever teu nome no meu espelho...
Revelar nossos segredos,
Vou ser má,
Te roubar
Prender-te a mim,
E te amar até o sim.

Magna Vanuza Araújo.



Ímpeto Desejo







Venho das ventanias sinuosas,
suspensa em sentimentos
interiorizados.
A lua, o sol, as estrelas
e todas aquelas paisagens
imaginadas,
foram desfeitas num ímpeto
de desejo.
Controvérsias emocionais
destiladas em venenos adocicados
sem antídotos.
em consequência dos sentimentos incontidos
me tornei pássaro sem ninho,
estou agora, presa em espinhos,
a perfurar minha alma.

Magna Vanuza Araújo


Das adversidades da Vida...






Não vim trazer guerras;
mas sei muito bem lutar
com bravura!

Magna Vanuza Araújo.







Das Incompatibilidades...




Das Incompatibilidade...

Não quero te contar nada,
Te falar como vai minha vida.

(Você nunca perguntou do meu dia...)

Não quero te forçar a nada
me fazendo de mal entendida.
Entediei!

Eu sei,
e sabendo tenho meu orgulho.
Não quero mais me ocultar
no teu mundinho escuro.
onde habita somente
teu "eugoísmo".
cansei!

Pra mim tanto faz,
pelo que você não me fez!

MV